Se eu fosse todas as Primaveras E todas as flores do jardim do mundo, Amar-me-ias deveras Com o teu amor mais profundo? Se o meu néctar, eterno como o Amaranto, Os teus sonhos inspirasse, qual Belle de Nuit, Perceberias, enfim, como te amo tanto E que desabrocho somente para ti? Fosse eu doce e elegante, (mas não em excesso: Para não enjoar), Como aquela fragrância do Peru... Seria capaz de percorrer o universo Apenas para encontrar A de que mais gostasses tu! Cândida como da Camomila a flor, Quando o vento de alto se agita, Seria um bálsamo o meu olor E a vida, de novo, tranquila e bonita. Mas se a invernia se instalar no teu coração E entre sorrisos estiver o teu ser que agoniza, A melíflua melodia de uma oração Das minhas campainhas enviarei pela brisa, E essas dores que tinhas hão de ir à derradeira. Não sabes que só o teu júbilo mantém viva a Dedaleira? Agora, ouve com atenção, meu amor, Espero que não me leves a mal, Não queiras do cálix muito libar, por favor, Que uma gota a mai...