Há um ovo encoberto
Vive na floresta de fetos
Ele é o alfa e o ómega
E o Princípio vital,
E é guardado pela serpente,
Qual Santo Graal.
Lá reside a semente
Do bem e do mal.
Desde tempos imemoriais
Que ela o tem bem protegido
Para o caso de algum atrevido
Lho arrebatar assim sem mais.
Os mistérios da Natureza
Ela sabe de cor
E vive para garantir
Que nenhum outro deles será senhor.
Por entre pinheiros e ribeiros
Ela se tem posto ao caminho
Meteu-se por túneis penumbrosos
Subiu a cumes de carvalhos frondosos,
Até que, enfim, encontrou o seu cantinho.
Mas a paz pouco dura;
Também o Homem se fez à estrada.
No seu sangue ferve o desejo da luta
Há de vencer a sua cruzada.
Esta, como se vê, não é uma jornada qualquer
Com sangue a ser jorrado por pura diversão
Este cavaleiro sabe bem o que quer,
É audaz e tem um nobre coração.
É o espírito que o move, que supera a razão.
Procura o fruto proibido,
O tesouro mais bem escondido,
Onde jaz a sabedoria por detrás da Criação.
Que horrores enfrentados,
Impossíveis de descrever!
Pântanos e terrenos inundados,
Mares agrestes em que sempre a vida tem-se a ponto de perder.
Mas o nosso herói nunca se deixou vergar.
Com a Divina Guarda sempre por si a zelar,
O covil de Melusina acabou por encontrar.
E, quando esta da fonte estava a beber,
Pegou no Embrião de Ouro e saiu a correr.
Regressado ao seu castelo são e salvo
Passou a ser o Homem mais poderoso.
Conhece os segredos dos elementos
A água transforma em vinho e do chumbo faz nascer o ouro precioso.
Não tem limites a sua ciência
E com anjos convive em elevados planos de consciência.
Deus está em si e sabe como a Ele chegar,
Pelo que só o Amor em si ocupa lugar.
Bem-aventurado aquele que no castelo puder entrar,
Que num raio daquela Luz universal
Tiver a dita de se banhar,
E que a Palavra, o sopro vital,
Encontrar, dentro de si, a ecoar.
E eu conheço o Castelo das Maravilhas,
Eu conheço esse lugar!
Bati às portas
E deixaram-me entrar.
Fiz, também, a minha jornada
Não foi fácil, mas está ultrapassada,
Porque agora é a Vida que pulsa em mim,
E o desejo de ser continuamente possuída pelo inefável, o incognoscível, o inalcançável, o que não tem fim.
Inspirado na leitura de As Três Espirais – Meditação sobre a Espiritualidade Céltica, de Jean Markale






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